Cleber Benvegnú

A partidarização da Igreja

Artigo de Cleber Benvegnú

A Revista Veja desta semana constata, em longa reportagem, o revigoramento da participação, especialmente de jovens, em determinados movimentos da Igreja Católica. Muitos, inclusive, estão se dedicando com exclusividade à vida cristã, através de comunidades em que precisam fazer voto de pobreza, castidade, obediência e vida fraterna. A matéria identifica que essa transformação, protagonizada especialmente pela Renovação Carismática Católica e por outros movimentos que priorizam a formação espiritual, reveste a Igreja de uma nova imagem, distante daquela que vigorou entre os anos 60 e 80, impregnada pelo ideário esquerdista.

Diz a socióloga Brenda Carranza, da PUC de Campinas, especialista em religiões: “Nos anos 80, participar da Igreja era estar engajado em obras sociais. Hoje, é ir com mais freqüência à missa, participar de vigílias e grupos de oração. Naquela época, o padre era visto como agente de transformação social. Agora, ele é um agente de transformação pessoal e espiritual”. E – conclui Veja – é essa transformação que move o rebanho das novas comunidades católicas. É verdadeira a constatação da matéria. Testemunho, em diversos movimentos dos quais participo, o crescimento da Igreja tal qual ela é: que não se esquece da opção preferencial pelos pobres, mas cuida do espírito e procura dar sentido à vida das pessoas. É a Igreja que não despreza quem cresceu na vida, que é fiel ao Papa e que não lê o Evangelho com viseira ideológica. É a Igreja que educa para os valores e que forma os jovens segundo sua própria Doutrina, e não a alheia.

Entretanto, a Igreja partidarizada permanece com forte atuação. Recebi, por exemplo, o jornal Presença Diocesana (nº 238), da Diocese de Passo Fundo, dentro do qual estava o encarte Presença Jovem, da Pastoral da Juventude. A matéria de capa estampa: “Juventude e Teologia da Libertação”. No texto, elogios explícitos a Karl Marx, um dos maiores hereges e anticristãos que a humanidade já conheceu, o mesmo que disse: “A religião é o ópio do povo”. Mais: elogios e citações de Frei Betto e – claro – Leonardo Boff, o ex-padre que dedica a maior parte do seu tempo a destilar ódio contra a própria Igreja, o Papa e os carismáticos.

Pasmem: muitos padres e leigos ainda não entendem a dificuldade de arrebanhar jovens para movimentos dessa natureza. Ora, ora... Nossa juventude estará interessada em uma leitura do Evangelho segundo Marx? Sua vocação existencial será encontrada apenas na militância e no engajamento político? Sei que a Pastoral da Juventude tem muitos méritos, até porque já participei de diversas de suas iniciativas. Mas sempre que alguém, especialmente da própria Igreja, tentar reduzir sua missão à de um partido político, estaremos mais longe das necessidades espirituais e existenciais da juventude urbana e rural, bem como de toda a sociedade. Não! Apesar de ter deveres perante a política, a Igreja não é um partido político.

Mais perto dos gaúchos para o Rio Grande crescer.  
 
 
 

Ano 2 - 03/12/2008

Edição - 39

 

Edições anteriores

   
 
  Texto e Contexto